Assessor deixa cargo após ser flagrado negociando imóveis durante expediente em Lajeado

 


Assessor da Câmara de Lajeado deixa cargo após ser flagrado negociando imóveis durante expediente


Um assessor da Câmara de Vereadores de Lajeado foi flagrado atuando na venda de imóveis durante o horário de expediente no Legislativo municipal. O caso ganhou repercussão após uma reportagem registrar o momento em que o servidor foi abordado enquanto mostrava um imóvel a um suposto cliente.

De acordo com a reportagem, servidores da Câmara estariam exercendo atividades ligadas ao mercado imobiliário durante o período em que deveriam estar cumprindo suas funções públicas.

Um dos casos envolve Juliano Pelegrini, então assessor do vereador Éder Spohr. Em uma ligação realizada pela equipe de reportagem, ele negou atuar como corretor de imóveis. No entanto, ao ser abordado presencialmente, não respondeu aos questionamentos e deixou o local.

A reportagem também constatou que o gabinete do vereador estava fechado em diferentes momentos durante o expediente. Enquanto isso, o assessor realizava negociações e atendimentos relacionados à venda de imóveis.

Mensagens, áudios e vídeos mostrariam Juliano oferecendo apartamentos a clientes e demonstrando disponibilidade de horários para visitas aos imóveis.

Outro caso citado envolve Lucas Bauer, assessor do vereador Fabiano Bergmann. Nas redes sociais, ele se apresenta como corretor de imóveis e divulga ofertas de apartamentos à venda.

Segundo a reportagem, em um dos dias de apuração o gabinete do vereador também estava fechado durante o expediente, enquanto o assessor atendia clientes em uma imobiliária da cidade.

Atualmente, a Câmara de Vereadores de Lajeado não possui controle de frequência para cargos de confiança. O assunto já havia sido levantado pela vereadora Paula Thomas, que defendeu a implantação de um sistema de controle de ponto para os servidores.

Ministério Público acompanha o caso

O caso também está sendo acompanhado pelo Ministério Público. O órgão solicitou informações à presidência da Câmara sobre o controle de frequência dos servidores do Legislativo.

Segundo o Ministério Público, desde fevereiro existe uma investigação relacionada à suspeita de que Juliano Pelegrini estaria atuando como "servidor fantasma". Após diligências realizadas na Câmara, a apuração foi ampliada.

De acordo com o promotor de Justiça João Pedro Togni, há elementos que indicam possível descumprimento da jornada de trabalho. A investigação seguirá para apurar se houve alguma irregularidade relacionada ao exercício da função pública.

Assessor pediu exoneração

Após a divulgação do caso, o vereador Éder Spohr informou que Juliano Pelegrini pediu exoneração do cargo. O parlamentar também afirmou que implantou controle de ponto em seu gabinete.

Já o vereador Fabiano Bergmann declarou que Lucas Bauer estaria apenas iniciando uma possível carreira no setor imobiliário e que permanece atuando normalmente no gabinete durante o expediente.

As investigações seguem em andamento.




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